Você já se perguntou por que os filmes de hoje em dia parecem tão ruins? Por que as histórias são tão previsíveis, os personagens tão rasos, os efeitos tão exagerados? Por que parece que estamos assistindo às mesmas coisas de novo e de novo, sem nenhuma originalidade ou criatividade?
Não é só você que pensa assim. Muitos críticos e espectadores têm reclamado da queda da qualidade dos filmes atuais, especialmente os de Hollywood, que dominam o mercado mundial. Mas quais são as causas dessa decadência? E o que podemos fazer para mudar essa situação?
Neste artigo, vamos analisar alguns dos fatores que contribuem para o empobrecimento do cinema atual, como a influência do mercado, a excessiva e suposta diversidade, a dependência da tecnologia e a perda de identidade.
O mercado e o lucro
Uma das principais razões para a decadência da qualidade dos filmes atuais é a influência do mercado e do lucro sobre a produção cinematográfica. Os grandes estúdios de Hollywood investem cada vez mais em filmes que têm potencial para gerar bilheterias milionárias, mas que nem sempre têm qualidade artística ou cultural.
Esses filmes costumam seguir fórmulas prontas, que se repetem em diferentes gêneros e franquias, como os filmes de super-heróis, os filmes de terror, os filmes de ação, os filmes de comédia romântica, etc. Essas fórmulas visam agradar ao maior público possível, mas acabam sacrificando a originalidade, a complexidade e a profundidade das histórias e dos personagens.
Além disso, os grandes estúdios também buscam expandir seus mercados para outros países, especialmente para a China, que é o segundo maior consumidor de filmes do mundo. Para isso, eles fazem concessões e adaptações em seus filmes, como incluir atores ou locações chinesas, evitar temas polêmicos ou críticos ao governo chinês, ou até mesmo alterar partes do roteiro ou do final dos filmes para se adequar às exigências da censura chinesa.
Essas práticas comprometem a integridade artística e cultural dos filmes, que deixam de refletir a realidade e a diversidade do mundo em que vivemos, e passam a ser produtos padronizados e homogeneizados para o consumo global.
A representatividade
O cinema é uma forma de arte que nos permite viajar por mundos imaginários, conhecer personagens fascinantes e nos emocionar com suas histórias. Mas será que o cinema atual está cumprindo esse papel? Ou será que ele está se tornando um instrumento de propaganda ideológica, que sacrifica a qualidade artística em nome de uma agenda política?
No entanto, muitos filmes atuais ignoram esses critérios de verossimilhança e inserem personagens de minorias em contextos que não fazem sentido, apenas para cumprir uma cota de representatividade. Isso gera uma sensação de artificialidade e desconexão, que prejudica a imersão do espectador. Alguns exemplos recentes são: Mulan (2020), que transformou uma lenda chinesa em um filme feminista com personagens brancos; O Rei (2019), que colocou um ator negro como o rei francês Charles VI; e Star Wars: Os Últimos Jedi (2017), que introduziu uma personagem asiática sem relevância para a trama.
A criatividade é outro aspecto que sofre com a representatividade forçada. Em vez de criar histórias originais e interessantes, muitos cineastas optam por reciclar filmes antigos e mudar o elenco para incluir minorias. Isso resulta em filmes previsíveis, sem personalidade e sem inovação. Alguns exemplos recentes são: Caça-Fantasmas (2016), que trocou os protagonistas masculinos por mulheres; 007: Sem Tempo Para Morrer (2021), que colocou uma mulher negra como a nova agente 007; e O Rei Leão (2019), que usou atores negros para dublar os personagens animais.
A diversidade é outro valor que é supostamente defendido pela representatividade, mas que na verdade é contraditório com ela. A diversidade significa reconhecer e respeitar as diferenças entre as pessoas, as culturas e as formas de expressão. Mas a representatividade impõe uma visão uniforme e padronizada do que é ser uma minoria, ignorando as nuances e as especificidades de cada grupo. Por exemplo, ao colocar uma mulher negra como a nova 007, o filme não está celebrando a diversidade, mas sim apagando a identidade do personagem original, que é um homem branco britânico. Da mesma forma, ao colocar atores negros para dublar os personagens de O Rei Leão, o filme não está celebrando a diversidade, mas sim reduzindo os animais africanos a estereótipos raciais.
Além disso, a representatividade gera conflitos e polarizações entre os espectadores, que se dividem entre os que apoiam e os que criticam essa prática. Muitas vezes, esses conflitos são marcados por acusações de racismo, sexismo ou homofobia, que desqualificam qualquer argumento contrário à representatividade. Isso impede um debate saudável e construtivo sobre o cinema e seus valores.
A dependência da tecnologia
Um terceiro fator que contribui para a decadência da qualidade dos filmes atuais é a dependência da tecnologia na produção cinematográfica. Os avanços tecnológicos trouxeram muitos benefícios para o cinema, como a melhoria da qualidade de imagem e som, a redução dos custos de produção e distribuição, e a ampliação das possibilidades criativas.
No entanto, muitos filmes atuais abusam da tecnologia, especialmente dos efeitos especiais e da computação gráfica, para criar cenas espetaculares e impressionantes, mas que nem sempre fazem sentido ou têm relevância para a história. Esses filmes priorizam a forma sobre o conteúdo, o visual sobre o narrativo, o entretenimento sobre a reflexão.
A perda de identidade
Um quarto fator que contribui para a decadência da qualidade dos filmes atuais é a perda de identidade dos cineastas e dos filmes. Os cineastas atuais parecem ter medo de assumir uma posição crítica, autoral ou experimental em seus filmes. Eles preferem seguir as tendências do mercado, as exigências dos estúdios, as opiniões dos críticos ou as expectativas do público.
Esses cineastas deixam de imprimir sua visão pessoal, sua voz única, seu estilo próprio em seus filmes. Eles deixam de ser artistas e passam a ser funcionários. Eles deixam de fazer cinema e passam a fazer produto. Os filmes atuais também parecem ter perdido sua identidade cultural, histórica e social. Eles deixam de refletir os contextos e os conflitos do mundo em que vivem. Eles deixam de questionar, denunciar ou propor soluções para os problemas que enfrentamos. Eles deixam de educar, informar ou inspirar os espectadores. Eles deixam de ser arte e passam a ser apenas entretenimento.Outra coisa que nos chama a atenção é o fenômeno dos remakes, reboots e sequências. Parece que não há mais espaço para histórias originais, e que os estúdios preferem apostar em fórmulas já consagradas, que garantem um retorno financeiro seguro. Assim, vemos o ressurgimento de franquias como Star Wars, Jurassic Park, Terminator, Ghostbusters, entre outras, que tentam reviver a nostalgia dos fãs, mas nem sempre conseguem manter a qualidade e a originalidade dos filmes originais.
Outro aspecto que contribui para a perda de identidade dos filmes atuais é a padronização dos gêneros. Cada vez mais, os filmes seguem uma estrutura narrativa previsível, que obedece a certas convenções e clichês. Por exemplo, os filmes de super-heróis, que dominam as bilheterias, costumam ter um protagonista carismático, um vilão megalomaníaco, uma jornada do herói, um romance secundário, um clímax épico e uma cena pós-créditos. Esses elementos se repetem em quase todos os filmes do gênero, criando uma sensação de monotonia e falta de surpresa.
Conclusão
Em um cenário onde muitos espectadores e críticos compartilham a percepção de que os filmes atuais têm perdido qualidade, este artigo explorou uma série de fatores que contribuem para essa decadência. Desde a influência esmagadora do mercado e o excesso de preocupação com o lucro até a representatividade forçada que pode sacrificar a criatividade e a autenticidade nas produções, passando pela dependência excessiva da tecnologia e a perda de identidade tanto dos cineastas quanto dos filmes.
Fica evidente que os filmes contemporâneos muitas vezes seguem fórmulas previsíveis e tendem a priorizar efeitos visuais deslumbrantes em detrimento da narrativa e da profundidade dos personagens. A representatividade, embora importante, pode ser executada de maneira forçada e contraproducente, resultando em filmes que sacrificam a verossimilhança e a originalidade em nome de uma agenda política.
Além disso, a dependência excessiva da tecnologia pode comprometer o equilíbrio entre forma e conteúdo, enquanto a perda de identidade no cinema atual pode deixar os filmes parecendo produtos padronizados e homogeneizados. Esta perda de singularidade nos filmes é notável em remakes, reboots e sequências, bem como na padronização de gêneros, que frequentemente resultam em uma sensação de monotonia e falta de surpresa.
No entanto, a capacidade do cinema de contar histórias profundas, envolventes e autênticas não está perdida. Alternativas como o cinema independente, estrangeiro, de autor e clássico continuam a oferecer experiências cinematográficas enriquecedoras e originais para aqueles que buscam um cinema mais autêntico e significativo. A qualidade do cinema atual pode ser revitalizada, contanto que enfrentemos esses desafios e restauremos a autenticidade, a criatividade e a diversidade na sétima arte. É um chamado para que espectadores, cineastas e a indústria cinematográfica como um todo considerem essas questões com a seriedade que merecem, buscando um cinema que celebre a verdadeira arte da narrativa visual.

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